Cigarros!
Voltei a fumar. Eu sei que agora é a hora que todos vão falar sobre – falar não, xingar mesmo – a minha pessoa por isso. Quer saber? Nem ligo! Tanta gente faz o mesmo e vão atazanar bem a minha vida? Como já vimos há desvantagens desta minha escolha… Mas, agora, eu posso marcar o quadradinho de fumante nas pesquisas de opinião, que tanto adoramos fazer. E, quando chegar à questão sobre qual marca eu uso, pronto responderei: São Paulo.
Nada melhor para meu futuro enfisema pulmonar do que uma calma passeada pela paulista. O clima é de deserto, o ar é de banheiro (pensando bem, isso seria um insulto ao meu… Juro que é cheirosinho!). Ou então, ver um por de sol sobre o viaduto da 23 de maio – aliás, que infernos de data é essa? – uma cena bizarra, sem duvidas: as estrelas do céu todas mortas, caídas na terra em forma de faróis de carros estacionados em uma via de transito rápido, mortas como a cidade toda, que aparentemente é a mais viva do país.
A água é péssima, o ar é pior. Os padres são empresários; os empresários, safados; os estudantes, vagabundos; e os vagabundos, ladrões. Já os ladrões… Estes são todos, incluindo a própria cidade que nos rouba a saúde, a paz, o sossego, a vida – vagarosamente e secretamente. Saudade da minha terrinha… Mas, cá, encontro coisas que lá não encontraria. E só uma delas já compensa todos os encaustos que observei.
Procurar sempre foi transitivo direto. Sempre! Mas passou a não sê-lo mais comigo. Para mim agora é intransitivo. Sim! Intransitivo! Toda vez que procuro algo, só procuro você, não haveria outro porquê. Mas o importante é que voltei a fumar, agora, eu fumo São Paulo. Agora estou mais perto de você.
Alcir Escocia Dorigatti
Ti accorgi di me
O gênesis

Os dias passam e esquecemos…



