O presente
Meus dias passam rápidos, mas longos como um caminho sem destino. Meus sonhos são grandes, mas formados por castelos de nuvens. Meus desejos ardentes, mas, sozinhos, incapazes de atender às necessidades deste ser pulsante.
Existe uma fonte de onde tiro minhas forças. Um pequeno embrulho. Serão duas cartas? Será uma flor? Seria um retrato? Talvez um amor? Já não recordo onde o encontrei. Se foi um presente, um achado ou quem sabe furtado. Pode até ter sido um anjo quem me deu.
Não ouso abri-lo, que cousa contém, ou se o que “contém” é real, nunca saberei. Espero que este seja o nunca mais curto da história de minha coleção de caixinhas da vida.
O embrulho é tão frio e também tão quente… Arde nas mãos, é doce ao meu tato. Pronto me fascina e me deixa triste; é o medo de ter uma desilusão e viver sem razão que me faz assim.
Alcir! Não respondes? Quero responder! O caminho infinito vai além do mar. Quero voar!
Se, agora, te abrisses e te revelasses, mesmo que em forma de erro - sei que não o é - que alegria seria! Mas ficas fechada; carrego-te à noite se vou para o baile. De manha, te levo para as escuras salas…
Perder este embrulho seria perder a mim próprio. Sou homem livre, mas levo uma coisa. Não sei o que seja. Eu não a escolhi. Nunca a fitei. Mas levo uma coisa.
Não estou vazio, não estou sozinho, pois anda comigo, algo indescritível…
Alcir Escocia Dorigatti




