O Sérgio do PavaBlog mostrou o casamento, e eu o divórcio.

O Sérgio do PavaBlog mostrou o casamento, e eu o divórcio.

Cigarros!
Voltei a fumar. Eu sei que agora é a hora que todos vão falar sobre – falar não, xingar mesmo – a minha pessoa por isso. Quer saber? Nem ligo! Tanta gente faz o mesmo e vão atazanar bem a minha vida? Como já vimos há desvantagens desta minha escolha… Mas, agora, eu posso marcar o quadradinho de fumante nas pesquisas de opinião, que tanto adoramos fazer. E, quando chegar à questão sobre qual marca eu uso, pronto responderei: São Paulo.
Nada melhor para meu futuro enfisema pulmonar do que uma calma passeada pela paulista. O clima é de deserto, o ar é de banheiro (pensando bem, isso seria um insulto ao meu… Juro que é cheirosinho!). Ou então, ver um por de sol sobre o viaduto da 23 de maio – aliás, que infernos de data é essa? – uma cena bizarra, sem duvidas: as estrelas do céu todas mortas, caídas na terra em forma de faróis de carros estacionados em uma via de transito rápido, mortas como a cidade toda, que aparentemente é a mais viva do país.
A água é péssima, o ar é pior. Os padres são empresários; os empresários, safados; os estudantes, vagabundos; e os vagabundos, ladrões. Já os ladrões… Estes são todos, incluindo a própria cidade que nos rouba a saúde, a paz, o sossego, a vida – vagarosamente e secretamente. Saudade da minha terrinha… Mas, cá, encontro coisas que lá não encontraria. E só uma delas já compensa todos os encaustos que observei.
Procurar sempre foi transitivo direto. Sempre! Mas passou a não sê-lo mais comigo. Para mim agora é intransitivo. Sim! Intransitivo! Toda vez que procuro algo, só procuro você, não haveria outro porquê. Mas o importante é que voltei a fumar, agora, eu fumo São Paulo. Agora estou mais perto de você.
Alcir Escocia Dorigatti
Os dias passam e esquecemos…
Pegue uma mochila, ponha nas costas, lembre-se do tempo de escola. Saia, sem rumo, quem liga? Ande por andar, cantando. É bom, faz bem pra alma. A sensação de liberdade que conseguimos com coisas bobas é incrível, e mesmo assim tentamos alcança-la sempre pelo modo mais difícil. Na verdade, queremos fazer tudo pelo jeito mais difícil, complicado, ou menos prazeroso; não é mesmo?
Não confiamos em ninguém. Na realidade, confiávamos até nos ferirem de forma que não conseguimos mais fazê-lo. Temos relacionamentos superficiais, conversas superficiais, vidas sem sentidos. Quantas vezes não nos pegamos pensando alguma coisa, a qual nem lembramos, numa tarde de um dia chato, e nos sentimos deslocados, como se perguntássemos: O que eu estou fazendo da minha vida? Tudo isso é culpa da falta de confiança. É como uma doença da alma, e que, com o tempo, vai afetando nosso próprio corpo. Mantenha-se preocupado com algo, ou triste, por muito tempo e vamos ver qual será a conta que você terá no fim do mês na farmácia. As pessoas mais felizes que eu já conhecia são aquelas que dizem não ligar para nada, mas a questão é outra, elas ligam, elas ligam para o momento em que vivem, e se dão ao máximo, com amor.
Liberte sua mente, imagine um mundo diferente, um mundo seu, onde não haveria todos os problemas que nos preocupam. Agora faça algo para realizar este sonho. Entregue-se ao seu próximo, confie nele. Eu lhe garanto que imediatamente ele passará a confiar em você, apenas pelo fato de você acreditar tanto nele, dar tanto de si próprio, tanto afeto. Tudo funciona como uma via de mão dupla, para receber, temos que dar algo. Alguém deve dar inicio a isso, porque não você? Dê bom-dia a todo mundo, é claro que ninguém acorda 100% todo dia, mas isso não passa de uma opção. Ao levantar da cama você pode escolher ser aquela pessoa idiota como sempre, das quais no mundo há aos montes, que pensam apenas em si próprias; ou querer criar em seu dia algo que contribua, não somente para os outros, mas até para si mesmo.
Tomar chuva, dar risada dos próprios tropeços, ser bem humorado com tudo, ir ver o sol nascer, e no mesmo dia ele se por – claro que em lugares diferentes. Cercar-se de amigos, colegas, conhecidos, amores, desconhecidos. Se todos praticassem atos mais ou menos importantes ou bobos que esses, seria incrível a diferença que ouviríamos nas palavras das pessoas. É triste ver que estamos esquecendo das coisas importantes, e nos preocupamos tanto em como retomá-las que nos desviamos do caminho. Para encontrar a solução de um problema, não é necessário analisá-lo, se você fizer isso, você nunca encontrará nada. Deve-se olhar além, deve-se aproveitar tudo que lhe é dado e tudo que você pode dar. A vida lhe dará as respostas em troca disso.
Alcir Escocia Dorigatti

O vestibular
É março, você tomou no … há pouco tempo no vestibular, bebeu além da conta no carnaval para esquecer, e agora é março! Primeiro dia de aula, você se prepara como fosse correr uma maratona: chega 2 horas antes da aula, senta na primeira carteira, e fica calculando os ângulos entre os ponteiros do relógio até a aula começar. Afinal, você é foda!
Em abril, você faz os 200 exercícios por frente do livro , não tem dúvidas, e está 69 aulas na frente do professor. Você fica imaginando o porquê não passou no vestibular e chega a conclusão de que foi golpe do azar, culpa da caganeira, do cachorro que não te deixou dormir. Mas culpa sua não foi! Afinal, você é bom!
Maio. Você ainda está se gabando da ultima nota de seu simulado, aquele que você fez 91 das 90 possíveis! Obrigado esmolas – leia-se bônus -, mas pare aí, não tem bônus no simulado… ou agora tem? Você já não faz todos os exercícios, até porque você já sabe tudo. Está cansado, mas relaxe, você ainda é bom!
Agora é junho e você fará inscrições para os vestibulares de inverno. Não agüenta mais aulas de história (hora do soninho, lembram do parquinho?), e as aulas de inglês foram banidas da sua grade. Aliás, inglês? Oi? Isso existe?
Julho, as férias! Férias? Você vai fazer vestibular, seu burro! Ninguém mandou não passar no ano anterior! Você chega no dia da prova da UEM e se depara com uma simpática questão número um:
“1-
A)Prove que o radical duplo sqrt(a+-sqrt(b )) se transforma numa soma de radicais simples, se e somente se, a²-b for um quadrado perfeito
B) considerando a condição do item a, satisfeita, prove que
sqrt(a+-sqrt(b )) = sqrt((a+b)/2) +- sqrt((a-c)/2) e c=sqrt(a²-b) “
O choro é livre!
Em agosto, você faz de tudo para esconder os seus resultados nos vestibulares – que, por sinal, estão na internet para todo mundo ver e dizer em suas costas: Que burro, dá zero pra ele, dá zero pra ele!
Setembro as aulas de matemática viram aulas praticas de histórias, em quais você está estudando Segunda Guerra Mundial, em historia geral; e Ditadura, em Brasil (ao menos deveria, se teu professor não estiver atrasado para foder com sua vida de vez). A tortura rola solta. Tantas relações interessantes para você praticar, e você tem que ficar bem com a trigonométrica. Preferiria uma lésbica…
Outubro! As folhas caem, sua nota no simulado também! Entretanto, você nem liga; começa a ir nos churrascos diários de seus amigos, aplicando a auto-desculpa do “preciso relaxar para fazer uma boa prova”.
Novembro e Dezembro. Jesus nasceu, você morreu, mas parabéns, você está na reta final! Você fará 121 dias de provas em 2 meses. Caso consiga se lembrar, respire. Caso contrario, apenas responda suas sessões de tortura, quer dizer, provas! Diga adeus ao natal e o ano novo.
Janeiro, a volta da tortura. Aguarde para descobrir que não passou em nada. As coisas sempre acontecem da pior forma possível; eventualmente isso dá errado e uma coisa boa pode vir a acontece. Caso dê errado (e dará!) e você não venha a passar, relaxe, foi culpa do azar de novo. Afinal, você é foda!
Alcir E. Dorigatti

Deseja alguma coisa?
Não, não quero nada! Será que é tão difícil entender? Pode parecer um surto neurótico, um pití, um chilique, uma bichisse, uma síncope; mas você sabe, e sabe muito bem, do que estou falando.
Lá está você, todo bonitoso, caminhando feliz pela rua principal da sua cidade. Seu dia está ótimo, nada pode atrapalhar você. Até que você peca, prova do fruto proibido, e tem a maldita idéia de entrar numa loja – afinal sua mãe mandou você comprar um tênis novo. Ano passado, mas mandou.
Você mal pisa na loja, e, lembrem-se daquele vídeo do Animal Planet agora, onde 20 leões olham esfomeados para um boi. Pois é, você é o boi. Os 200 atendentes da loja disputam quem vai vir até você, e você (coitado de você!), acuado, fica parado, esperando algo acontecer. Até que acontece.
Você deseja alguma coisa? Diz, com uma voz encantadoramente, suavemente, incrivelmente, homem-mente doce, o vendedor. Nessa hora, há várias possibilidades: você pode dizer que sim, pode dizer que não, ou pode dizer o que todos têm vontade – e que faz mais sentido também. Caramba, claro que você quer alguma coisa, se não quisesse não entraria numa loja, não é? Tudo bem se a coisa parasse por aí, mas não para.
Como se já não bastasse ele vir e te fazer uma pergunta idiota, ele resolve fazer duas perguntas idiotas. Você está lá, no maior dos paradigmas da sua vida; são tantas possibilidades e variáveis para analisar que você quase pira: gostei da cor? Vai ficar bom? Minha futura namorada, que eu ainda não conheci, vai gostar? Será que vou conseguir o financiamento pra pagar? E, com a maior inocência, alguém vem te perguntar se pode ajudar. Você com o maior pepino da sua vida pra resolver, e alguém vem te tirar daquele momento super-pessoal com um “Posso te ajudar?”. Claro que pode, comece sumindo! Por favor!
Olha que mundinho ideal, você olha tudo, escolhe sozinho, e quando desejar alguma coisa, adivinhe, daí sim chama a atendente. Entretanto, isso nunca vai acontecer. Então a gente pode rezar pra você nunca ter a maldita idéia de entrar numa loja, ou, se entrar, a atendente vir em sua direção, e dizer: “Oi, meu nome é Viviane, ta aqui meu telefone”.
Alcir Dorigatti