Água Rasa: Cuidado para não se afogar!
Algo que jamais poderia ser esquecido: O alerta fundamental da existência humana deveria ser colocado em todas as casas, empresas e onde existe o convívio humano. É deveras real ser a maior causa de morte do mundo: o afogamento em águas rasas.
Porque digo isso? Ora, não é real o suficiente o nosso senso de perigo? Quantas vezes nos orgulhamos de dizer que passamos por situações de extremo perigo, de dificuldade incalculável, onde até hoje nos perguntamos como conseguimos sobreviver? Passar por aquela barreira imensurável, aquele desafio? Ah aquele desafio! Somos preparados naturalmente para enfrentar essas situações, nosso corpo produz adrenalina, nosso cérebro fica mais esperto, nosso medo nos dá coragem para enfrentar estas situações de águas profundas. E sim, temos orgulho de nossos feitos e nossa evolução como ser humano.
Triste meus caros, é saber que logo mais ali, naquela piscina de criança da vida, nos afogaremos. É tão fácil nadar em água rasa, ficamos em pé e a água bate nas canelas. Como conseguimos nos desestruturar e cair e não mais respirar sendo que precisamos apenas levantar a cabeça?
É assim que os problemas da vida se apresentam a nós, águas rasas e fundas. E empacamos, mesmo nos de simples resolução. Por ser tão fácil, nosso corpo não produz adrenalina, nosso cérebro não se propõe a exercitar-se de maneira eficaz, nossos amigos também não acham ser necessários aquela mãozinha. Tá tudo sobre controle, mas para nós não. Empacamos, quebramos, destruímos tudo que construímos pois estamos estatizados diante de tamanha afronta ao nos depararmos irresolutos diante de tanta insignificância.
Fernando Pessoa tem um poema que gosto muito que diz : Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?
É desta forma que procuro encarar os avisos da vida sobre as águas rasas, ao me deparar desesperado em resolver algo tão simples que não parece ter solução. É preciso agir, observar que primeiro preciso levantar a cabeça. Avaliar a condição em que estou, reconhecer que não preciso me afogar ali, explorar a terra. E então construir meu palácio, minha ponte, o que for necessário para não morrer afogado.
A vida é cheia de pegadinhas! Irônico seria não reconhecer que Sergio Malandro descobriu o sentido da vida antes da gente: “Pegadinha do malandro, glu glu yeah yeah”. E a vida é reconhecer que tudo é uma ausência de significados, o absolutismo da não correlação lógica, as pegadinhas, as águas misteriosas e diante de tudo isso encarar a vida sendo o que quer.
Desapegue-se dos compromissos óbvios! Não és obrigado a brilhar o tempo todo e nem ser confiável, cheio de compromissos. Não deixe de se divertir nas águas rasas, brinque enquanto os outros se afogam. Coloque aquela bóia de criança nos braços e vá com fé.
Auto ajuda? Não! Só estou cansado de ver todo mundo se afogando no raso, enquanto o óbvio está em que precisamos focar nos desafios mais profundos. Respire enquanto há vida, crie enquanto seja vivo, mas jamais, jamais, se afogue em águas rasas.
Paulo Câmara.

Numa mesa de pôquer, um joguinho entre amigos…







Eu Acredito!





