
Quando eu embarquei no Návio da Alvorada em busca de nárnia, me clamaram para cair na real. Não sei quem inventou que eu não podia ser o capitão. Eu fiz de conta, eu quis os mistérios que C.S. Lewis escreveu. De repente me deram um anel, e me vi de repente como frodo o bolseiro indo em direção ao fogo. Ohhhhh Inferno, nasci nas cantigas de Nárnia e fui para o Senhor dos Anéis.
Felizmente no caminho, encontrei um garoto com uma vara mágica. Ele dizia que tinha muitos problemas em casa, seu nome? Harry Potter. Mas que isso, cadê a pedra filosofal dos meus sonhos? Fui caminhando, e já estava conversando com a Branca de Neve. Até que o maldito anão começou a encher meu saco, lancei ele em direção ao terceiro Céu. E tava lá eu vivendo a Bíblia. Conheci Jesus um cara batuta, não era o Batistuta mas sabia marcar gols. Como se tivesse em um jogo da Argentina, estava do lado de um Super-Herói que falou “Hey garoto, você gosta de pizza?” Me vi treinado por ratos, meus amigos estavam no esgoto, me tornei um super-herói também. Ei Mestre Splinter me explique, Por que o Super-Homem tem a Louis Lane e eu não tenho ninguém? Desacreditado na vida, procurei o oráculo, me senti Sócrates até que me ofereceram a Sicuta.
Acordei no outro dia, e procurei uma utopia que Tomas acabara de me oferecer. Mas nada foi além do que um elogio a loucura de Erasmo, que não era Roberto Carlos, mas que fazia parte da guarda de minha juventude. Aos goles de coca-cola, me senti preso ao Anti-Cristo, precisei confessar com Agostinho todas as minhas confissões. Acordei como Schopenhauer, triste, procurando sentido da vida.
Andei, e encontrei no caminho a cinderela. O seu sapato de cristal ficou comigo. Libertei o impostor que vive dentro de mim. Comecei a fazer a revolução junto com meus amigos bichos, em plena 1984 minha vida mudou. Procurei um novo queijo, pois aquele que eu comia, acabaram de mexer. Comecei a faculdade da vida, me ensinaram engenharia, mas eu sempre gostei de surfar, virei também um Engenheiro do Hawaii. Mas o lobo mau disse que destruiria meu lar, me senti um porquinho. Corri pra casa de um amigo, que me prometeu abrigo. Talvez eu era apenas Martinho Lutero pedindo socorro ao seu amigo lord alemão.
Fiz a revolução meu caro nobre, revolucionei a forma de pensar. Queriam me queimar junto às bruxas, E Dostoievski me disse que eu conheceria o Grande Inquisidor. Me apresentaram uma grande Pessoa, que se chamava Fernando que falou não se preocupe, o que você sente eu já senti. Até Platão que me ensinou o nome de todos os astros, não disse como minha história iria acabar. Freud negou-se a adivinhar meus sonhos, Jung se apaixonou por minha irmã. Mas eu sempre fui filho único. Andava perdido, caçando pipas, até vi que Cazuza, Raul e Renato conversando e achei que eu não era normal. Na estrada da vida, essa infinita highway, comecei a me ver como personagem de Servantes, Dom Quixote. Olha o espelho me falaram, vi que nada era além de um velho parado. Tudo isso aconteceu de forma hilária. Quis aprender as Leis, me tornei Doutor mas nunca me formei. Nem passei na OAB. Até que um dia, eu que não nasci pra ser Santo, conheci um cara divinamente legal chamado Lulu que falou: Se liga ai garoto, você nasceu pra ser star. Andando entre estrelas, senti que aquilo ali era meu lugar.
Conheci um garotinho, com roupa de príncipe, pequeno sábio que me fez admirar a rosa. Do amor da infância ao amor da juventude, eterna lembrança.
Nessa minha caminhada literária, descobri que de tudo não sou um intelectual, apenas um romântico que não foi contextualizado. Procurando de página em página meu ponto final.



