Saturday, September 4, 2010

TheWorldOwner

Pois cada um leva consigo o direito de ser o dono do seu próprio mundo

Veja o que ja foi postado em ‘Poesia’

O presente

Posted by Alcir On agosto - 6 - 2009

embrulhoO presente

Meus dias passam rápidos, mas longos como um caminho sem destino. Meus sonhos são grandes, mas formados por castelos de nuvens. Meus desejos ardentes, mas, sozinhos, incapazes de atender às necessidades deste ser pulsante.

Existe uma fonte de onde tiro minhas forças. Um pequeno embrulho. Serão duas cartas? Será uma flor? Seria um retrato? Talvez um amor? Já não recordo onde o encontrei. Se foi um presente, um achado ou quem sabe furtado. Pode até ter sido um anjo quem me deu.

Não ouso abri-lo, que cousa contém, ou se o que “contém” é real, nunca saberei. Espero que este seja o nunca mais curto da história de minha coleção de caixinhas da vida.

O embrulho é tão frio e também tão quente… Arde nas mãos, é doce ao meu tato. Pronto me fascina e me deixa triste; é o medo de ter uma desilusão e viver sem razão que me faz assim.

Alcir! Não respondes? Quero responder! O caminho infinito vai além do mar. Quero voar!

Se, agora, te abrisses e te revelasses, mesmo que em forma de erro - sei que não o é - que alegria seria! Mas ficas fechada; carrego-te à noite se vou para o baile. De manha, te levo para as escuras salas…

Perder este embrulho seria perder a mim próprio. Sou homem livre, mas levo uma coisa. Não sei o que seja. Eu não a escolhi. Nunca a fitei. Mas levo uma coisa.

Não estou vazio, não estou sozinho, pois anda comigo, algo indescritível…

Alcir Escocia Dorigatti

Ti accorgi di me

Posted by Alcir On julho - 16 - 2009

pareTi accorgi di me

O sorriso estampado que há muito não prega no rosto ainda existe na memória de alguns que costumavam ser próximos. A alegria que tinha ao abrir as primeiras portas da vida foi tirada dele com o tempo; com desalento; o sofrimento. As lembranças que ainda trás de quando era assim apenas causam mais dor: deseja, como não deseja outra coisa, ser daquele jeito novamente. Mas aqueles tempos não voltam… o tempo nunca volta.

As escolhas que foram oferecidas uma vez não o serão outra; a oportunidade não aproveitada quando surge, aproveita-a outro. Coisas que só se aprende com o tempo… E, quando se dá conta disso, arrepende-se de não ter percebido antes. Quando pára; pensa; lembra; sofre! Sofre, pois tudo que aparece nas imagens da mente são cicatrizes do passado, fantasmas que todos possuímos e aumentam com o tempo.

Tudo que faz possui 50% de chance de dar certo, assim como todos os demais. A matemática não explica, mas a vida sim: 1%, às vezes, torna-se muito maior que quaisquer outras chances. O reverso é mais doloroso - e verdadeiro - embora não goste de acreditar nele. Sorte dos pessimistas, que sempre estão certos e quando perdem na verdade ganham. Ele, só perde…

Não há necessidade de auto-destruição (suicídio?)… Ele ocorre devagar, secretamente dentro de si mesmo; na ausência do abraço apertado que tanto espera; na espera de um carinho que não chega; na falta de um sorriso que não consegue mais dar… Eu morro devagar…

E ninguém percebe isso.

Alcir Escocia Dorigatti

O gênesis

Posted by Alcir On julho - 11 - 2009

matematica-do-amorO gênesis

Era uma vez você. E no inicio, não havia mais nada. Até que você, precisando se divertir, pensou em inventar um brinquedo, e então disse: Faça-se os números! E lá estavam eles, saltitantes em sua frente. Você olhou para sua criação e se sentiu feliz.

Entretanto, tudo estava desorganizado, em um profundo caos. Então você dividiu os números em positivos e negativos. Você se sentiu feliz por isso, e não parou por aí. Naturais, Inteiros, Racionais, até para os pobres Irracionais, que não sabiam pensar direito, você criou um conjunto. Além disso, resolveu ir além, dividiu-os em Reais e Imaginários; sim, você era bom com todos e não deixava de contemplar ninguém com sua graça.

Tudo parecia perfeito, os números se somavam, subtraiam, multiplicavam e povoavam o plano cartesiano. Vendo o desenvolver de sua criação, você resolveu criar funções para seus inventos, e, a partir daí, era possível prever outros eventos! Sua criação ganhara vida, e ela mesma a explicava.

Tudo corria bem, todos aprendiam com sua criação. As aulas de matemática eram pura diversão. Mas, como tudo um dia acaba, apareceu um temido vilão. Mulheres trazendo aulas de historia, geografia, português e lingüística vieram para acabar com aquela harmonia. Os pupilos do raciocínio lógico logo estavam discutindo as probabilidades da interpretação de uma frase, ou os últimos acontecimentos do milênio passado. Oh!E você assistia todo aquele potencial mal aplicado…

Revoltado, invadiu a sala do fruto proibido, arrastou consigo seus fiéis amigos, e obrigou-os a estudar sem parar apenas matemática, física, química. Mulheres estavam banidas para sempre de suas vidas. E era assim que nascia o estudante de engenharia.

Alcir Escocia Dorigatti

Tous les jours de ma vie

Posted by Alcir On junho - 21 - 2009

pordosolTous les jours de ma vie

Nunca pense demais. Às vezes, de tanto imaginar possibilidades, ou apenas viajar no pensamento, deixamos de ver o quanto possuímos no momento. Deixamos de dar valor as coisas devidas, que, por mais importantes que sejam para nós, parecemos ignorar, desprezando-as, maltratando-as, até que um dia – o dia em qual as perdemos - percebemos a falta que tudo aquilo nos fazia.

Atribuímos valores as coisas erradas, colocamos outras em pedestais em quais não mereceriam estar, e acreditamos muito nos nomes das coisas. Vamos simplificar o raciocínio – afinal, ao menos eu, só tenho uma vida; e não tenho tempo a perder com complicações – se você come algo, que seja uma novidade para você, e gosta muito, com certeza irá repetir a refeição, mas será que faria o mesmo se alguém lhe dissesse que aquilo era estrume? O gosto estava bom; o cheiro estava bom; você gostou do prato; mas irá torcer o nariz e virar a cara depois de saber o nome daquilo. Mudando os exemplos, o que aconteceria com um relacionamento?

Somos hipócritas! Temos vergonha, medo, ou sei lá o que seja, de tudo aquilo que sentimos. Quase ninguém expressa naturalmente aquilo que sente, sim é raro isso acontecer! Um nome pode transformar amor em aversão, e tudo isso pelos valores que atribuímos às coisas erradas. Claro que não perdemos nada ao fazermos isso, porém deixamos de ganhar, e muito. Se fossemos mais sinceros com nós mesmos, e, ao invés de nos preocuparmos com rótulos, preocupasse-mos apenas com aquilo que sentimos, muitas coisas seriam diferentes, a começar pelo fim da angustia, da espera sem sentido; do tempo perdido.

Eu não tenho todo o tempo do mundo, e mesmo assim esperei minha vida toda por uma única pessoa. Jogue suas complicações de lado, sempre há um caminho mais simples para nossos problemas, e quando você aprender a fazer isso, eu te prometo, você se sentirá completa, todos os dias de sua vida, e eu estarei lá com você.

Alcir Escocia Dorigatti

Aprender a voar.

Posted by TheWorldOwner On junho - 14 - 2009

Dizem que existe um jeitinho para aprender a voar.
O jeitinho consiste em se jogar ao chão e errar.
Tentando fazer o certo eu me machuco.
Enquanto outros obtem exito ao errar.

Talvez eu devesse errar, ser diferente.
Não querer sempre acertar, ser ignorante.
Deixar de pensar, ser mais um a andar.

A vida é tão engraçada. Sádica. Enfática.
Que o meu desejo de voar, só se realizará
Quando eu errar.

E quando eu começar a errar, não tem como voltar.
Ai será uma questão de tempo para que o tempo
não me atrapalhe a voar.

voar

Cloto, Laquésis, Átropos

Posted by Alcir On junho - 2 - 2009

caminho Cloto, Laquésis, Átropos

Nada vai acontecer do jeito que você passou a vida planejando. Nada! E por mais que você se revolte contr isso, por mais que você queira mudar seu destino, não há como, você está fadado ao que lhe foi escrito. Teus sonhos de nada valem na teia da vida, tuas vontades, reprimidas, só servirão de fonte de sofrimento. E, quando você perceber tudo isso que lho digo, não fique cabisbaixo, triste. Apenas aproveite a chance que terá de fazer a única mudança que lhe será concedida.

Desista de tudo! Lembre-se: seu tudo é ilusório; você não estará abrindo mão de nada. Se há algo que você deverá se apegar neste momento que ainda está por chegar, é, justamente, este nada. Para todo navegante há um destino ou um desejo, e, assim, um caminho a ser trilhado, mas, se você não sabe aonde ir, está perdido, qualquer caminho é um caminho bom, não importa pra onde leve. E não se preocupe tanto com que lhe dirão; tolos estes, mal sabem o que são. Fantoches de suas próprias vidas e nada mais, é disso que tento te livrar, pena eu mesmo não conseguir.

Seu presente te incomoda, seu passado não tem mais hora. Teu futuro é incerto, se é que você tem por ele algum esméro. E mesmo assim você toca sua vidinha, pacata, sem mudanças… Se mate! Por favor! Mate quem eu vejo ao te olhar, essa pessoa não te faz nada bem. Liberte-se de si mesmo, este é o maior desafio de cada um, que deve ser vencido individualmente; e, quando conseguir tal feito, você será alguém diferente.

Alguém sem problemas na cabeça, a princípio. Claro que você enfrentará os mais diversos desafios, mas a questão é que você não tem mais nada do que acreditava ter para perder. Estará tão aberto para a vida, que considerará tudo como uma dádiva, aprenderá a encontrar um ponto de luz mesmo em meio a mais terrível tempestade para te guiar. Você terá descoberto o grande segredo que todos procuram: o nada.

Temos medo de mudanças, esta é a verdade. Mudar de cidade, de costumes, de vida. Não é fácil! Podemos até falar que sim, mas apenas porque estaremos falando isso para outra pessoa, a questão é quando você é o próprio paciente de tais mudanças. Arriscar-se é o caminho mais promissor para desbravar sua vida, ir ao encontro de seu destino. Ou então, você pode ficar esperando, sentado, sem mudar, viver, morrer.

Alcir Escocia Dorigatti

Uma carta patética

Posted by Alcir On maio - 2 - 2009

amazoniaUma carta patética

Meu cantar agora é fraco, frágil, mas tentarei fazê-lo uma última vez e com a mesma doçura de sempre. Não sei ao certo se seria um réquiem ou um último convite a uma valsa. Meus dedos, quase desfalecidos, procuram desesperadamente as tuas mãos, tão frias e também tão quentes. Ardem nas minhas, são doces ao meu tato. Prontas me fascinam e me deixam triste – as mãos que me deram carinho são as mesmas que espalham minhas cinzas.

Quando tu eras pequeno e eu grande, cuidei de ti, zelei por tua saúde, tua existência. Ah! Tempos que na voltam mais. Tu cresceste, tornou-se forte e ingrato. Agora que mais preciso de ti? Cadê aquele garotinho que me rodeava e jurava amor eterno em meus troncos? Pegaste todas aquelas lembranças, todo meu zelo, tua própria consciência e aprisionaste em um pequeno embrulho. O pior foi quando me deste o presente, logo percebi o destino de todo meu amor: criei um monstro.

Segundo os filmes de terror, as criações voltam-se contra os criadores;  nossa história, infelizmente, não foi diferente. Aprisionou-me e torturou, envenenou o sangue de meus rios, queimou o verde de minha pele, abriu buracos em meu coração dourado. Embora não percebas, continuo sentindo o mesmo de quando te vi pela primeira vez. Aquele coração que desenhaste em meu tronco, ainda está lá, esperando teu dono pegá-lo novamente. Tu precisas de ajuda, mas não tenho mais forças, é tua vez de me ajudar.

Homem! Não respondes? Não fiques indiferente as minhas lágrimas. Vem até meu leito de morte e vê o que seguro em minhas mãos. Lembra-te deste embrulho? Abre-o tu, pois não há mais energia em mim para fazê-lo. Readquira aquelas qualidades pelas quais me apaixonei e pelas quais nossa relação sempre fora harmoniosa.

Caso não venha me visitar, não me importarei, e não por isso deixarei de ser indiferente a ti. Tu deves ter coisas mais importantes a fazer que rever uma amada de longa data. Mas sinto-lhe dizer, meu amor, somos simbiontes. Existo para ti, enquanto tu existes por causa de mim. Sempre tentei concertar teus erros e agora chegou a hora de tu mesmo o fazer.

Assim é meu adeus, abandonada, estou cansada, sentindo-me só. Meu reino encantado virou cinza, virou pó. Mas continuo esperando meu príncipe, não para me beijar, mas para abrir uma simples caixinha. Embora meu caminho pareça estar em colapso, não estou vazia, não estou de toda só, pois anda comigo algo indescritível: Tua alma, aquilo que tu verdadeiramente és. Só consigo enxergar isso, pois o vejo com o coração, tu sempre estiveste dentro de mim, desde a criação.

Minhas forças não me rendem mais palavras, apenas não permita que morramos.

De tua eterna amada.
Amazônia

Alcir E. Dorigatti

Quando Deus tocou minha vida..

Posted by TheWorldOwner On maio - 26 - 2007

m dia me perguntaram se eu já tinha visto Deus, se eu já havia sentido sua presença…

Eu refleti por muito tempo, quando numa noite fria em meu quarto lembrei de quantas vezes eu havia sentido a presença de Deus em mim. Quando eu conheci o amor numa sexta-feira à noite, foi uma das vezes em que eu senti a presença de meu grande Pai em meu ser. E neste momento quero compartilhar a presença dEle; uma das tarefas mais difíceis de um homem – descrever a presença de Deus em um olhar tímido de uma princesa com palavras criadas quando tantas outras poderiam ser inventadas para este momento.

Aquele rosto risonho que vinha em minha direção, sua sombra era iluminada pelas estrelas e a Lua guiava seu andar. Seus olhos ternos e sua voz querida, delicada e decidida. Eu como um mero humano admirado, observava ela chegar mais perto.

Um momento terno, fiel, não se pode nem dizer que foi eterno – pois o tempo naquele momento deixou de existir. A perfeição do imperfeito, a poesia cantada, senti pela primeira vez um Deus que dança.

O cenário não consigo lembrar, as luzes se apagaram – não havia necessidade de mais brilho, todo brilho que era preciso já estava saindo do seu ser. Não vi um Anjo, mas vi uma princesa. E neste momento eu sabia que Deus estava ali.

Me senti o mais querido dos filhos, o mais abençoado de toda a geração. Deus havia estado ali comigo durante todo aquele mágico momento.

E quem se atreverá a dizer que Deus não existe, se meus olhos registraram a mais terna beleza?

Quem se atreverá a dizer que Deus não existe, se escutei sua voz tímida cantando em meu ouvido? Não será possível que tenha tudo sido um engano, os anjos estavam ao piano. Pode ter sido uma ilusão, mas as pessoas não sabem o que é real – hoje mesmo eu conversei com a princesa que dos meus sonhos saiu para a vida real.

Neste sonho não faz diferença se meus olhos estão abertos ou não, nessa canção que não importa se existe letra. A presença de Deus sim eu senti naquele lugar, e, lembrei que sou o mais feliz de todos os homens; Senti Deus e reconheci um grande Amor ao mesmo tempo como deveras deveria ser.

E você é capaz de dizer, que nunca sentiu a presença de Deus? Abra seu coração, sinta a canção deste Pai que dança, e está a sua espera para lhe oferecer uma valsa também.

Paulo Câmara, dedicado a minha princesa.

Em uma gaveta qualquer.

Posted by TheWorldOwner On fevereiro - 10 - 2007

Em uma gaveta qualquer, lá coloquei um coração recém roubado. Tranquei e joguei as chaves fora em um riso de auto-ironia.

Mal sabia eu que, por engano, acabara de esconder meu próprio coração. O que fazer? Consegui me prender dentro de uma gaveta qualquer.

Recluso, me recuso a aceitar as condições propostas nessa mesa de jogo. Eu que falei nem pensar - sem pensar. Fui sincero como eu jamais poderia ter sido. Estou preso dentro do jogo que eu criei, como uma brincadeira de criança me tornei a caça e o caçador.

Estou cara a cara com minha pior metade, será que sobrevivo a essa verdade?

Ei seu Astronauta, ligue a luz - cadê a lua? Só ela pode me salvar dessa prisão. Foi para ela que jurei todos os meus amores e ódios, só ela pode me dizer como sair dos labirintos que eu mesmo criei. Se eu seguir adiante, seguirei sem meu coração. Se eu ficar parado, meu corpo irá se perder em ilusões e miragens nesse deserto de água.

Do meu bolso, decidi apostar minha vida. Uma moeda joguei para cima e todo meu futuro está nas mãos da monarquia. Capitalismo selvagem, por ambição roubei meu próprio coração. Seguirei em frente, será que um dia alguém encontrará aquela velha gaveta com o futuro da nação?

Por Paulo André com um toque de engenheiros.