Curtas de uma longa vida de pequenas coisas:

Deus toma que o filho é teu!
Não agüento ser chamado de Ateu. Porque questiono os filhos teus. Cadê o entendimento dos seus testemunhadores? Questiono-os porque, diferente deles, tu nunca escondeste sua face diante de minhas dúvidas. Sou redimido do pecado, mas julgo a ignorância como mal supremo, talvez pior que até o próprio ser das trevas. Desculpe-Me caro Senhor, minha educação não é inglesa, meu presidente é sindicalista. Mas no bom Português, tem pessoas que se julgam seus filhos que põem a prova sua competência.
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Dias de Fúria!
Mar revolto, sem sentido. Significado do acaso, distraído sem questionar a existência, sou fruto do perdão e também sou os pecados de meu Pai. Fique com seu bom gosto, com seu ardor de realidade, sou apenas eu - minha alma é ser-se. Sou filho meu, viúva do meu ser. Utilize sua medida, que eu faço a minha moda. Meu trabalho escravo estou, o mundo me aprisiona, e das grades desta prisão procuro o teu rosto… Ó Pai, não esconda tua face de mim nestes dias de fúria!
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To de boa!
Eu não quero questionar, hoje eu também não quero amar. Quero apenas jogar dados pra cima e ver quantos passos devo dar. Hoje eu to de boa não quero filosofar, não quero este mal que julgo necessário. Hoje eu quero me divertir, hoje não tem luar. Eu sou um morto de férias, na mais total solidão, não bate meu coração - hoje eu sou um morto de férias, rindo e comendo pipoca cansei de ser um problema. Meu epitáfio é meu ticket aéreo, minha passagem pro além, um tour surpresa que não me faz sentido entender.
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Fantasma!
Eu que não me casei, já sou pai de familia. Eu que não fumo, comprei um cigarro. Eu que não bebo, estou andando cambaleando pelas ruas. Espectro da realidade, o silêncio da verdade. Me sinto um fantasma, com responsabilidades que nunca quis, um ser que ninguém vê. Apenas sente, tem medo. Eu nem durmo, para ser lembrado como o ser dos lençóis. Oh fantasmas de minha Alma - sou apenas mais um, nesse mar infinito de bobagens.
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Amor, Flores e Rock’n'Roll
O teu sorriso, meu amor, é como o rock’n'roll. Me ensurdece, me anima, me aquece. Na sua fragrância, escuto o seu som chamando de meu amor. Sou um rockstar, ando nas estrelas a busca daquela que te prometi em algum sonho meu. Sonhos teus, sou fruto desse amor, meu nome é rock’n'roll minha flor.
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Colé Meu rei, muda o disco que hoje vou pro reggae.
Hoje eu quero sambar, hoje é dia de dançar. Quero balançar a cabeça, pois eu tou sem trocado. Me troquem de lado, eu quero a melhor mesa, eu quero um beijo de sobremesa. Hoje é dia de Reggae, meu Deus dança também - ele que fala que quem não entra na roda dança fora do ritmo. Me desculpe, se nessa noite não te escolher, é que hoje eu não te quero ao meu lado. Hoje o Samba é meu, Hoje eu vou sambar nesse reggae solitário.
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Sorria, estou te filmando.
Invadi sua privacidade, estou vivendo na ilegalidade. Meus olhos estão te filmando, sorria meu bem - pra você sair bem na fita tem que saber atuar. Não podem me prender, as fitas estão dentro do meu ser. Não tome antidepressivos, não ligue para o medico. Não se preocupe que hoje é seu dia de popstar americana - você está quase ganhando o Oscar de atriz coadjuvante. Eu que sou o diretor, sou apenas um infrator. Não me olhe com rancor, é sua fita meu bem, é sua fita que eu estou te vendendo.
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Paulo Câmara



